Trilha sonora para filmes

A volta.

Será?

Enfim, muito tempo se passou e meu setup melhorou. Comprei o Logic, a interface Firebox da Presonus e caixas BX5a Deluxe da M-Audio. Gravei muitas músicas e trilhas sonoras, botei meus trabalhos online no www.cafecomleite.org e aprendi muita coisa. Uma delas é que edição de som e música para filmes é muito gostoso de fazer.

Os programas ficaram mais leves, os computadores mais rápidos e agora até filmes em high definition podem ser feitos no conforto do seu quarto. Existem n alternativas de programas pagos / sharewares e até freewares para começar a brincar.

Mas filmes não são feitos só por uma pessoa. Ao contrário da música, que pode ser feita do começo ao fim por uma pessoa só, os filmes têm equipe. É impossível fazer um filme sério sozinho. Tem que ter alguem cuidando da direção, da iluminação, da produção, da arte, do som. Existe a preparação, a filmagem e a pós-produção – complexa nela mesma – com os editores de vídeo, de som, de cor. E tudo isso tem que funcionar junto.

Nos filmes, se trabalha com pessoas. E pessoas têm que conversar.

Digamos que você aceitou trabalhar num filme, seja em edição de som ou trilha sonora. Ou os dois. Seu trabalho começa assim que o montador termina. E é aí que mora o problema. Muitas vezes o tempo é contado e algumas coisas atrasam. E há cronogramas que precisam ser seguidos. Aí acontece o seguinte: a filmagem atrasou dois dias por causa de tempo chuvoso. O montador leva dois dias a mais para editar por causa de ilha de edição / picuinha do diretor / perfeccionismo. O filme chega pra você. Com quatro dias de atraso.

Como ficamos no final da cadeia (junto com o colorista) a pressão para a entrega do trabalho agora cai em nós. Se você tinha duas semanas para fazer uma trilha, conte uma. Isso se você não der o azar de pegar um trabalho na sexta para entrega na segunda (muito comum, por sinal).

Já aconteceu de um animador me ligar para fazer uma trilha e sonorização para um filme publicitário com a seguinte proposta:

“Tenho uma notícia boa e outra ruim. A boa é que tem um trabalho bom e você vai ser muito bem pago.
A ruim é que é pra amanhã!”

E eu aceitei, claro.

Então, se por acaso vocês se aventurarem a pegar trabalhos de AV, preparem-se.
O trabalho vai ser grande. E corrido.

Mas vale a pena ver o resultado na tela grande num lugar escuro cheio de gente.

(Re)escolhendo o seu setup

A falta do Pro Tools me dá um vazio existencial muito necessário. Se meu problema antes era fazer a interface funcionar com outros programas, agora é saber qual interface escolher.

Pra isso precisamos responder algumas perguntas:

Eu preciso gravar alguma coisa? Se for música eletrônica com sons vindos do computador, não. Se sim, o que? E quantos instrumentos / canais eu preciso ao mesmo tempo? Bom, eu queria MUITO gravar uma bateria. Comecei tocando bateria, né? Mas moro em apartamento. Se precisar gravar bateria vou no estúdio aqui do lado. Devo gravar voz, guitarra (às vezes ao mesmo tempo pra uma demo ou algo do tipo) e talvez alguns instrumentos diferentes que eu traga pra cá. Algo estéreo talvez… samples ou dois mics mesmo.

Tá. Então é assim: “preciso de uma ou duas entradas de microfone. Uma entrada auxiliar seria legal, pq aí da pra ligar minha mesa de som com outras coisinhas, incluindo mais entradas pra mic. Não devo gravar mais de 2 canais ao mesmo tempo. Queria algo portátil que pudesse levar pra praia, shows, faculdade e seja fácil montar e desmontar. Ah, queria uns controles MIDI também. Se possível um tecladinho pra eu não precisar levar o meu pra todo lugar. E uns knobs também, pra controlar softwares virtuais.. de preferência o Reason…”

É desse jeito que se precisa pensar antes de sair comprando. Talvez eu precisasse de uma mesa enorme com 24 canais, talvez a placa de som que eu já tenho serve pra alguma coisa. O importante é pensar assim antes.

No meu caso, o Ozone da M-Audio funciona muito bem. É um teclado de duas oitavas (portátil). USB (o computador que eu tenho é um iBook, não posso ter interfaces com placas PCI. Tenho que ficar com USB ou Firewire), com 8 knobs (pra controlar o Reason) uma entrada de microfone com Phantom Power (importante pra usar microfones condensadores, aqueles grandões de estúdio), uma entrada de instrumento (com a impedância correta pra ligar uma guitarra), saída pra caixas e fone de ouvido. Funciona com a maioria dos programas que eu gosto de usar, como o Logic, Reason, Live, Peak e até o Pro Tools, se eu realmente sentir que preciso de novo dele mais pra frente. E ele é pequeno o suficiente para caber na mochila junto com o iBook.

Além de tudo, o preço dele é perto do preço que eu consegui com a venda da Mbox, exatamente o que eu precisava.

EDIT: mas não foi essa que comprei. Explico no próximo post.

Marcas legais de interface: M-Audio, Digidesign, Presonus, Roland/Edirol, Behringer, MOTU
Marcas legais de controladores MIDI: M-Audio / Evolution, Novation, Korg, Alesis, Edirol, E-mu

Desisti do Pro Tools

É isso mesmo. Depois de 4 anos de Mbox / Pro Tools LE e mais outros estudando e cuidando dos estúdios dos outros, eu desisto.

Não levem a mal. Eu adoro o Pro Tools. Ele é padrão de mercado, muito fácil de usar (principalmente para quem está acostumado com gravação em fita, ele simula igualzinho). Tem o mínimo de telas necessárias, então nada fica muito escondido. Trata áudio do jeito que deve ser tratado (edição não destrutiva) além de ser bonitinho.

Só que não dá mais.

A minha principal queixa é que o driver para usar a Mbox (interface) com outros programas é MUITO ruim. Eu tinha que usar o Pro Tools. Qualquer outro programa que eu tentasse não conseguia enxergar a interface. Consegui uma vez com o Garageband, mas foi apenas uma vez. Como o iBook não tem entrada de áudio (e eu tinha uma placa justamente para isso) eu ficava preso. Queria gravar com um monte de programas diferentes e não podia.

Outra reclamação: o Pro Tools só funciona com a sua própria interface. A princípio não parece grande coisa, já que eu tinha a Mbox e ela é bem portátil, né? Mas no uso diário as coisas funcionam um pouco diferente. Se eu tivesse em qquer outro lugar com o iBook e não tivesse com a Mbox na mão não poderia abrir minhas músicas. Nem abrir. Nada.

E o Pro Tools às vezes se recusava a tocar, mesmo com a interface ligada, pq não conseguia ler a música do HD. Ele dizia estar lento demais. Acontece que eu conseguia tocar tudo pela interface normal do mac em outros programas, e nele não. De vez em quando mesmo com o HD externo ele não tocava. E nem tava tão pesado assim.

E os plugins básicos dele não passam de básicos. Vocês já viram os plugins básicos do Sonar? Ou do Logic? Vem MUITA coisa. O Pro Tools sempre precisava de um plugin que eu não tinha… ele tinha só o básico do básico do básico. O resto era extra.

Por essas e outras eu não quero mais o Pro Tools. Ele é ótimo, mas é muito chato.

Essa semana troco de interface e de programa.
Aí escrevo mais.

Disclaimer

Me mudei do antigo endereço para esse.

Pensei em criar um blog pra falar sobre coisas que penso, pesquiso e que possam ser úteis para alguém.

Pois bem. Sou músico. Penso 24 horas por dia em maneiras de poder gravar o que penso sem precisar alugar estúdio ou mesmo esperar até a manhã do dia seguinte.

Esse blog é pra quem quer saber mais sobre homestudio, estúdios portáteis, miniaturização de material de trabalho e como produzir música no quarto, no parque, na praia, no avião ou em qualquer outro lugar.

Sejam todos bem-vindos.


março 2017
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